A 14 de agosto de 2026, a Google anunciou que os anunciantes que ainda usam os formatos antigos de campanhas de pesquisa — Dynamic Search Ads (DSA) e campanhas com correspondência ampla ao nível da campanha, juntamente com Ativos Criados Automaticamente (ACA) — vão ser migrados para o novo formato "AI Max for Search", sem possibilidade de recusa. A janela de migração forçada decorre entre 1 e 30 de setembro de 2026 — ou seja, está a acontecer neste preciso momento: parte das contas já foi migrada, e as restantes serão convertidas automaticamente até ao final do mês. Criar novas campanhas do tipo antigo já não é possível desde 3 de agosto. Formalmente, os anunciantes tinham a opção de atualizar de forma voluntária, através de avisos e ferramentas dentro da própria conta — mas a partir de setembro a Google simplesmente faz isso por eles, transportando definições históricas, exclusões e inclusões de marca para o novo formato.
O que muda de facto dentro da campanha
O AI Max não é uma simples mudança de nome. O pacote junta três coisas ao mesmo tempo: correspondência automática e alargada de termos de pesquisa (é a IA que decide para que pesquisas o anúncio aparece, para além das palavras-chave formais), títulos e textos de anúncio gerados automaticamente e, o mais relevante, expansão do URL final — a possibilidade de o sistema enviar o clique para uma página do site diferente daquela que o anunciante indicou, se considerar outra mais relevante. A Google afirma que "AI Max for Search campaigns see an average of 7% more conversions", mas este número vem da própria apresentação da empresa, comparado com campanhas sem AI Max, e não de uma auditoria independente — convém tratar este tipo de dado como marketing, não como garantia de resultado para uma conta concreta.
Quem devia abrir já a conta do Google Ads
Imagine uma pequena empresa de janelas e portas no Porto, com um orçamento publicitário de 800 euros por mês e sem um gestor de PPC dedicado — as campanhas são geridas pelo próprio proprietário, ao final do dia. Tinha uma única campanha DSA para todo o catálogo de produtos e várias campanhas de correspondência ampla, configuradas há dois anos e nunca revistas desde então. Em setembro, estas campanhas tornam-se automaticamente AI Max: o sistema passa a decidir sozinho para que pesquisas aparecer, a escrever os títulos dos anúncios e a escolher para que página do site enviar o tráfego. Se o proprietário não tiver uma lista atualizada de palavras-chave negativas e não rever os controlos de marca, parte do orçamento pode, logo nas primeiras semanas, ser gasto em pesquisas irrelevantes ou desviar utilizadores da página de um produto específico para uma página de catálogo genérica com pior conversão — e só perceberá isso, na melhor das hipóteses, um mês depois, quando chegar a fatura.
Isto não é um cenário hipotético, é exatamente aquilo de que os profissionais de PPC avisam há anos em relação a cada novo formato "inteligente" da Google Ads: a correspondência automática alargada e a geração automática de ativos só funcionam bem com monitorização regular, análise dos relatórios de termos de pesquisa e atualização constante das palavras-chave negativas. Sem isso, têm tendência a aumentar a despesa de forma silenciosa, captando pesquisas adjacentes ou pouco relacionadas que tecnicamente "convertem", mas não trazem clientes rentáveis. Para um anunciante grande com uma equipa de análise, este é um risco controlável. Para um pequeno negócio sem alguém a rever os relatórios todas as semanas, é um caminho direto para gastar mais do que devia, sem nenhum sinal imediato e visível de que algo corre mal.
Há um pormenor prático que vale a pena verificar já: se a conta é gerida através da API do Google Ads — por scripts próprios de licitação, integrações com CRM ou dashboards de BI —, convém confirmar se a versão da API está atualizada. O suporte a versões antigas e aos campos associados a funcionalidades legadas termina por volta de setembro de 2027, e é melhor testar a compatibilidade agora do que ter de resolver uma integração partida depois de o problema já ter acontecido.
Por trás de tudo isto está uma lógica mais ampla: a Google está a retirar, de forma sistemática, os controlos manuais dos anunciantes e a substituí-los por modelos que decidem sozinhos a quem, o quê e para onde mostrar. Isto pode, de facto, melhorar resultados em contas que antes simplesmente não tinham recursos para uma otimização fina. Mas também significa que a diferença entre "uma IA bem configurada" e "uma IA que queima orçamento sem supervisão" passa a depender inteiramente de alguém acompanhar os relatórios com atenção depois da migração — e não da inteligência do próprio sistema.
Para nós, na Dayava, esta é exatamente a zona onde a automatização de processos deve trabalhar a favor do negócio, e não contra ele: configurar monitorização da despesa publicitária, alertas de anomalias e revisões periódicas de palavras-chave negativas e controlos de marca é também automatização — só que orientada a controlar a automatização de outra empresa.
Fonte: Search Engine Land, "Google sets AI Max migration timeline for Search campaigns"
Se lhe interessa uma solução semelhante para o seu negócio — deixe o seu pedido em dayava.pt/contactos/.